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ENTREVISTA  Miriam Biderman - Effects Films
  20/05/2009
  Equipe da Tecnologia Musical




 

Miriam Biderman - Effects Films

 

Além da mixagem e da musica, uma outra área é importantissima no cinema: a edição de áudio (que inclui ambientes, ruidos, dublagem, e criação de sons para cada filme. Longas como Carandiru, Lisbela e o prisioneiro, Noel, o poeta da vila, Eu, tu eles, Castelo ra-tim-bum e seriados como Alice, da HBO, devem grande parte de sua sonoridade à edição de áudio: A Effects Films vem atuando desde 1988 no Brasil e conta em seu curriculo com mais de 130 longas e 30 documentários.

 

Quando que voce começou a trabalhar com audio? E em qual área?

Fiz um curso de cinema na NYU e comecei a trabalhar em produções independentes em Nova York. Consegui um bico no departamento de cinema da Unicief, trabalhando como assistente de montagem. Minha função era sincronizar um material que estava chegando da Africa, sobre amamentação. Eram rolos e rolos de filme, em 16mm, na sua maioria sem claquete, para serem sincronizados com rolos e rolos de magnético. Me deram uma noite para fazer o trabalho. Claro que eu mal sabia como funcionava uma moviola, menos ainda de como iria sincronizar aquilo tudo. Foi um pesadelo, mas de alguma forma ou de outra, consegui. Depois desse começo meio tumultuado, continuei fazendo alguns trabalhos por lá quando fui indicada para trabalhar em um longa metragem de ficção. Era uma produção super independente, onde comecei como estagiária e acabei um ano e meio depois como primeira assistente.

Daí, comecei a trabalhar como assistente de montagem em alguns documentários. Em NY, na época, as salas de pós produção eram mais ou menos perto umas das outras, por isso as pessoas acabavam se conhecendo e avisavam quando algum filme estava começando e precisando de assistentes. Também, na época, as equipes de pós-produção eram maiores. Principalmente as equipes de edição de som. Meu primeiro trabalho em edição de som foi no filme do Scorcese, chamado Color of Money, com Tom Cruise e Paul Newman. O chefe de edição, também chamado de Supervising Sound Editor, era o Skip Lievsay, que é um dos mais criativos editores de som. Daí em diante só trabalhei com edição de som em várias produções.

 

Uma das perguntas que mais ouvimos é: o que é exatamente "edição de áudio para cinema"? Este trabalho continua durante a mixagem dos filmes?

Edição de som é hoje em dia um termo muito mais abrangente do que jamais foi. Mas, de qualquer forma, genericamente é dividido em algumas etapas:

Edição de som direto e dublagem, edição de ambientes e ruídos, gravação e edição de ruídos de sala (também conhecido como Foleys), e criação de sons especiais (Sound Design).

Cada filme tem sua característica própria, mas todos têm que passar por essas etapas. Atualmente, com os novos recursos técnicos (workstation, plug ins, periféricos, etc), o editor de som chega à  mixagem muito mais preparado, com os sons muito mais trabalhados e o próprio desenho de som  muito mais definido.

A mixagem acaba sendo a última etapa da edição de som. Em praticamente todos os estúdios do mundo o workstation usado é o ProTools. Varia enormemente a sofisticação e variedade de plug ins disponíveis, dos periféricos e da capacidade do hardware, dos consoles, etc. Mas, fora isso, a base é a mesma. E com isso, não temos mais aqueles velhos problemas de não conseguir refazer alguma premix, adicionar, tirar ou re-equalizar qualquer som, pois tudo fica muito mais acessível.

As mixagens hoje em dia são muito mais dinâmicas, fazendo com que o editor e o mixador realizem idéias novas, criando, solucionando e desenvolvendo juntos a sonoridade final do filme.

 

Quando voce iniciou seu trabalho com edição, qual era o equipamento utilizado? Quando começou a utilizar o Pro Tools ?

Eu comecei trabalhando com Moviolas. Em NY, por alguma razão, as Moviolas usadas eram principalmente as Steenbeck e as Kem (lá chamadas de Flatbeds). Aqui no Brasil usavam mais as Prevost. Para edição de som, usávamos as moviolas “olho de boi”, que lá eram chamadas de Upright Moviolas. No final dos anos 80 começou a migração para os primeiros workstations.

O primeiro workstation que eu usei foi o Creator, da Atari. Não era bem um workstation, era um midi controller acoplado a um Roland S770.

Depois disso, comecei a usar o Pro Tools, que na época acho que chamava Sound Tools e tinha só 4 pistas ! (1992). Trabalhei quase dois anos com esse equipamento para uma série de TV semanal chamada “Gente que Faz”, para o Bamerindus.”

Depois disso, fui contratada para fazer o som do documentário sobre a Copa de 1994. Era um projeto muito grande e envolvia muita gente. A edição e mixagem foram feitas em Nova York. Lá, toda a equipe de edição usava ProTools e aprendi mil macetes que o pessoal de lá tinha desenvolvido para trabalhar em edição não linear para longa metragens.

Trouxe essas novidades para cá e tratei de adaptá-las à nossa realidade, que é bem diferente da de lá. Nessa época, o cinema estava começando a retomar a produção e eu comecei a trabalhar quase que exclusivamente para isso.


Tirando o aparecimento do Pro Tools, quais eforam os equipamentos que mais mudaram o trabalho em sua área? 

A mudança mais radical foi quando o magnético deixou de existir! Isso foi uma liberdade nunca  antes imaginada. Quando a edição era feita em fitas magnéticas perfuradas, o trabalho era gigantesco. Precisávamos ter o magnético, em primeiro lugar. Aqui no Brasil isso em si já era um grande problema. Dependendo do tamanho da produção, acabávamos usando magnético reutilizado. Por economia, no Brasil usávamos magnetico 17,5mm. Ou seja, o rolo de 35mm era cortado ao meio para render mais!

Era necessário também conseguir metros e metros de copiões velhos para preencher os rolos de som (silêncio), para não gastar o precioso magnético. Tinha também a questão do durex. Nos Estados Unidos, era usado um tipo de fita adesiva especial para cinema (splicing tape), aqui no Brasil era o bom e velho durex de papelaria, que soltava cola, melecava todo o magnético e ainda por cima, descolava! Claro que isso acontecia bem na mixagem que tinha que parar até o rolo ser consertado! Para colar, era necessário uma coladeira (splicing block ou guilhotina, mais comum no Brasil). Era preciso ter uma mesa de trabalho, com enroladeira, pratos, separadores, enfim, uma sala de montagem com mil traquitanas que hoje são peças de museu!

Era preciso escolher e transcrever todos os sons antes de começar a edição de som. Era preciso ir a um estúdio que tivesse uma dessas máquinas de transcrição, com todos os sons preparados. Acontecia que muitas vezes faltava som, ou no meio da edição percebíamos que não havíamos transcrito ambientes suficiente para certas cenas. Mais uma ida ao estúdio, mais horas de transcrição, mais horas de moviola, etc, etc, etc.

O processo mudou radicalmente do ponto de vista técnico, mas muita coisa permanece igual em termos de organização e método de trabalho. Claro que, adaptado para essa nova edição não linear.


Atualmente, voce entrega pre mixagens para od diretores terem uma idéia do som do filme, e dialogos, e com quais elementos ?


Fazemos apresentações da edição de som. Depende muito de cada diretor, do prazo, da complexidade do projeto. Mas sempre fazemos isso para o(a) diretor(a) começar a se familiarizar com a sonoridade, corrigir o que não gosta ou o que não funciona.

É muito importante também para nós, os editores, pois são nessas apresentações que podemos ouvir os rolos como um todo e também corrigir o que não funciona, verificar se está faltando algum som, etc. Antigamente era muito trabalhoso fazer isso, pois não tínhamos a quantidade de pistas que temos agora. Era necessário fazer bounces de cada etapa e caso quiséssemos experimentar alguma modificação durante a apresentação, era bem complicado. 


No que o trabalho de audio relacionado a cinema e seriados no brasil difere daquele realizado dos USA ? O profissional brasileiro executa mais funções do que seus colegas nos USA?

Já foi bem mais diferente. Atualmente, estamos cada vez mais parecidos, no que tange a método de trabalho e equipamento. Especialmente comparado às produções mais independentes. Acho que as grandes produções de Holywood ainda são bem diferentes, mas com  a crise tudo deve diminuir bastante. O que ainda é muito diferente é o valor pago pelo trabalho, preço de equipamento e os prazos de trabalho.

 

Ha quanto tempo existe a Effects Filmes  e quais outros serviços que voces oferecem alem de edição ?

A Effects Filmes existe desde 1988. Eu e meu sócio, o Ricardo Reis, coordenamos, supervisionamos e executamos edição de som, gravação de Ruídos de Sala (Foleys) e de dublagens e criação de sons (Sound Design).
 








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